Storytelling é sobre conectar através de histórias

Storytelling é sobre conectar através de histórias

Nós gostamos de ouvir histórias. Elas contribuem para moldar a forma como nossa mente recebe, assimila e transmite informações.

Para perceber esse poder, basta pensarmos nas indústrias bilionárias construídas em torno da literatura de ficção, do cinema e da TV. E em como elas ressoam e impactam no nosso dia-a-dia.

Mas como levar essa prática para nosso trabalho e nossa vida?

Storytelling é a arte de se contar uma boa história. E este “boa”, na imensa maioria das vezes, quer dizer relevante.

Ou seja, uma história que consiga reter a atenção da pessoa interlocutor/a – esteja onde estiver – e que, de preferência, marque, fique na memória e faça refletir.

Uma narrativa bem articulada, com começo, desenvolvimento e final específicos, e que, de alguma forma, capture o público – seja por meio do drama, da tragédia, da comédia ou da ação. Mas que, no fim das contas, consiga gerar algum tipo de sentimento.

Chris Anderson, CEO do TED e autor do livro “TED Talks - Como falar bem em público” conta que, no geral, uma história tem uma estrutura linear simples, que facilita acompanhá-la.

A pessoa ouvinte simplesmente deixa quem conta levá-la numa viagem, passo a passo.

Graças às longas eras em que ouvimos histórias ao redor de fogueiras, em reunião com amigos/as, nossa mente acompanha uma narrativa muito bem.

E não apenas isso, mas, quando conseguimos nos identificar em algum ponto da história, isso faz com que criemos uma conexão não só com o enredo e o contexto, mas também com a pessoa que a conta/vive.

Os valores universais

Se tomarmos um filme como exemplo, conseguiremos entender em algum momento por que essa conexão existe. Ainda que cada pessoa seja diferente e única. Quer ver?

Pare para pensar em um filme, qualquer filme que você goste. Agora, pense em seu/sua personagem favorito/a.

Já parou para pensar o motivo de você gostar dele/a? É que, em algum momento da história que essa pessoa vive e representa, você se identificou. Talvez tenha sido por poucos minutos.

Mas esses minutos foram relevantes o suficiente para que você criasse uma conexão, ali mesmo.

E essa identificação tem relação com os conhecidos-mas-não-tão-debatidos: valores universais. Todos/as necessitados sentir pertencimento, temos um senso de justiça, queremos amor em nossas vidas.

Esses valores intrínsecos que permitem que a gente se conecte com essas histórias - ou seja, com as pessoas e suas vidas.

Storytelling é sobre pessoas

Dito isso, seja para vender a ideia da empresa ou um produto, seja para emocionar um público, uma história é sempre sobre pessoas e não coisas.

Além disso, lembre-se de não contar o seu histórico, pois a arte do storytelling não é mostrar às pessoas quem você é e sim mostrar quem ela são.

Quais são os desejos delas. As dores delas. O que as separa do objetivo final. Elas precisam encontrar o gatilho para a conexão.

Para chegar a esse ponto, é preciso, então, que você pergunte a si mesmo/a: quem é o meu público? O que eu quero ensinar? Qual motivo darei para as pessoas chegarem até o final?

Vou te dar 4 dicas para a construção de uma boa história:

Defina objetivos e forneça detalhes contextuais

A estrutura clássica de storytelling envolve ter um objetivo claramente definido.

Por exemplo: entreter, educar, provocar uma mudança de comportamento, conscientizar, etc. Ou, no caso da escrita autoapreciativa, compreender, harmonizar. A partir dele, é que a história se desenvolve.

Uma vez definido o objetivo, passamos a contextualização. Ou seja, fornecemos os detalhes necessários ao bom entendimento da história.

Esses detalhes envolvem, dentre outras coisas, o local, a época, os costumes das pessoas envolvidas. Posteriormente, evidenciamos o conflito.

Inspire-se na jornada do herói

Quais são os elementos de uma boa história? A fórmula clássica consiste em: um/a protagonista luta por um objetivo, encontra um obstáculo inesperado e disso resulta uma crise.

Essa pessoa protagonista tenta superar o obstáculo, o que leva a um clímax e, por fim, um deslance. (também pode haver interrupções e reviravoltas no enredo).

Esse conflito é classicamente representado pela jornada do herói, a qual, resumidamente, narra a saga de um herói que, ao receber um chamado, abandona o mundo comum em que vive, e parte numa aventura por um mundo especial.

Nesse mundo novo e cheio de aventuras, com a ajuda de um/a mentor/a e de aliados/as, enfrenta uma série de provas e desafios. Até chegar à caverna secreta, aquela que guarda os maiores tesouros e que requer do herói que enfrente seus maiores medos.

Quanto mais os detalhes permitirem ao seu público visualizar e sentir o que seus personagens sentem, mais ele/a se sentirá envolvido pela sua história.

Portanto, não se esqueça de pensar nos nossos cinco sentidos (tato, olfato, visão, paladar e audição), para encantar por meio de uma experiência verdadeiramente sensorial.

É isso que tornará a experiência de quem ouve, vê ou lê a história memorável.

Elabore o começo, o meio e a conclusão

Sua mensagem só será passada com eficiência caso seja construída aos poucos, de forma consistente.

Utilize outras mensagens para levar àquela aonde você quer chegar, como exemplos e metáforas. E busque um desfecho retumbante, uma conclusão poderosa, que ajude a manter a mensagem nas memórias de quem assistir à apresentação.

Seja você 

Cada um de nós percebe a realidade de uma maneira diferente.

Assim, um mesmo fato pode render diversas histórias, a depender de quem conta.

Não é importante ter necessariamente um determinado estilo ou usar certas palavras. O importante é usar as suas palavras, contar do seu jeito e transmitir a emoção que você vê, que você percebe no momento.

Às vezes, é justamente a preocupação em “contar como fulani conta ou escrever como beltrani escreve”, que nos impede de nos expressar bem. É preciso encontrar a própria voz.

Além das quatro dicas, o óbvio precisa ser dito: confiança é construída com honestidade, ou seja, para contar uma boa história você não deve mentir para o público, ok? 

Para resumir, ao contar uma história num palco, lembre-se de pontos essenciais:

1. Fundamente-a num/a personagem pelo/a qual a plateia possa sentir empatia;

2. Construa tensão, seja mediante curiosidade, intriga social ou perigo real;

3. Dê o nível correto dos detalhes, nem insuficientes, nem excessivos;

4. Termine com uma resolução satisfatória, seja ela engraçada, comovente ou reveladora.

E agora, preparado/a para contar a sua história?

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