Comunicação assertiva e não-violenta

“As formigas moldam a conduta umas das outras mediante a troca de substâncias químicas. Nós fazemos o mesmo ao ficar diante de outras pessoas, encará-las, gesticular e emitir sons estranhos. A comunicação humana é uma verdadeira maravilha. Inconscientemente, nós a praticamos todos os dias.”

Chris Anderson - CEO do TED

Comunicação em foco

Já é senso comum que comunicação é uma das competências mais exigidas atualmente no mercado de trabalho (e na vida), estando sempre presente na lista das competências do futuro.

Se pensarmos na causa raiz para que algo aparentemente tão simples seja hoje uma grande dificuldade, conseguimos elencar algumas hipóteses, como o fato de que esse tema não é pautado com muita ênfase durante o período escolar. Ou de que vivemos em um momento cada vez mais acelerado e polarizado.   

Sentindo essa dor, profissionais que entendem a importância dessa soft skill buscam aprimorar a sua comunicação assertiva, que evita ruídos e facilita a compreensão entre emissor/a e receptor/a da mensagem.

Essa assertividade significa saber o que, quando e como dizer algo, evitando assim conflitos desnecessários, permitindo relações construtivas, favorecendo a autoconfiança e diminuindo o estresse e frustração na comunicação.

Nesse contexto, há um conceito bastante utilizado em mediações de conflitos que vem sendo difundido para diversos outros contextos: a comunicação não-violenta.

Comunicação não violenta (CNV)

Marshall B. Rosenberg, um dos maiores pesquisadores do tema, explica que a CNV se baseia em habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas.

Ela não tem nada de novo: tudo que foi integrado à CNV já era conhecido havia séculos. O objetivo é nos lembrar do que já sabemos - de como nós, humanos, deveríamos nos relacionar uns com os outros.

A CNV nos ajuda a reformular a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os outros. Nossas palavras, em vez de serem reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando.

Somos levados a nos expressar com honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros uma atenção respeitosa e empática

Em toda troca, acabamos escutando nossas necessidades mais profundas e as dos outros. A CNV nos ensina a observarmos cuidadosamente (e sermos capazes de identificar) os comportamentos e as condições que estão nos afetando.

Aprendemos a identificar e a articular claramente o que de fato desejamos em determinada situação. A forma é simples, mas profundamente transformadora.

A essência da CNV está na consciência dos seus quatro componentes, em expressar-se honestamente e receber com empatia por meio deles, muito mais do que nas palavras que efetivamente são trocada.

Esses componentes são:

  • Observação
    As ações concretas que estamos observando e que afetam nosso bem-estar;
  • Sentimento
    Como nos sentimos em relação ao que estamos observando;
  • Necessidades
    As necessidades, valores, desejos etc. que estão gerando nossos sentimentos;
  • Pedido
    As ações concretas que pedimos para enriquecer nossa vida.

Fazer este exercício diariamente será um processo educativo e muito prazeroso. A cada troca, lembre-se dos princípios da CNV e de como ela pode te ajudar a atingir seus objetivos.

Ainda sobre comunicação assertiva, existem algumas dicas valiosas para você praticar e desenvolver o melhor de si nessa competência. O livro A Arte da Aprendizagem Autodirigida, de Blake Boles e traduzido por Alex Bretas, apresenta dois acrônimos super interessantes para essa temática:

O primeiro acrônimo é o PASMO. Ele resume uma série de cinco coisas a se fazer se você quer que alguém tenha uma primeira impressão positiva a seu respeito. Por que a primeira impressão é importante? Isso não quer dizer que sejamos superficiais — somos apenas práticos.

P

Significa Postura. Cabeça erguida, braços do lado do tronco. Respiração profunda.

A

Amplificar. Precisamos falar um pouco mais alto do que o que normalmente achamos ser necessário para sermos escutados. Falar num tom muito baixo e calmo o tempo todo é estranho. Mas claro, também não precisa gritar, né?

S

Tem a ver com Sorrir. Nossos rostos não sorriem naturalmente. Quando você conhecer alguém, lembre-se de sorrir não só com a boca, mas também com os olhos (deixe os pés de galinha fazerem seu trabalho).

M

Significa Mãos. Quando as pessoas estão nervosas, suas mãos as denunciam ficando toda hora em contato com a roupa, debruçadas sobre algum objeto ou escondidas nos bolsos ou nas axilas. Libere suas mãos e simplesmente as deixe em sua posição natural.

O

A letra inicial de Olho no Olho. Mantenha contato visual com alguém durante três a cinco segundos de cada vez, e se você está falando para um grupo, olhe um pouco para todos de maneira uniforme ao invés de se direcionar apenas a uma pessoa.

A segunda ferramenta é o EPAE: quatro dicas para quem quer criar boas conversas. Assim é que você sustenta uma interação para além da primeira impressão.

E

Significa Escuta Reflexiva, um tipo de escuta que costuma ser utilizado por terapeutas. Por meio da escuta reflexiva, você demonstra ao seu interlocutor que você está realmente prestando atenção no que ele diz, ao contrário de apenas fingir que está escutando.

P

É igual a Perguntas Abertas. Utilizar somente a escuta reflexiva não te leva muito longe numa conversa. Para manter pessoas conversando (ou apontar uma nova direção para a conversa), faça uma pergunta aberta, isto é, que possibilite várias respostas.

A

Significa Afirmações Pessoais. Até agora, nossas táticas de conversa miraram apenas na outra pessoa. Mas falar o que você pensa e acredita também é importante.

E

Tem a ver com Experiências, um lembrete de que as melhores conversas terminam com experiências concretas — isto é, fazer coisas — ao invés de apenas falar sobre elas. Se você gosta da pessoa com quem está conversando, não tenha medo de realmente fazer algo com ela ao invés de ficar só falando pra sempre.

Todas as dicas fazem muito sentido, não é mesmo? E muitas vezes nos esquecemos que pequenos detalhes podem gerar grandes diferenças. Por isso, a autoconsciência no ato da fala é muito importante para que esse processo seja bem sucedido.

Lembre-se: você é o que você fala e a sua mensagem pode ser uma parede ou uma porta para alguém. Que nesse percurso de caminhar por entre as palavras você consiga dar um passo de cada vez, alcançar trocas cada vez mais eficazes e conexões de fato verdadeiras.

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