Tecnologia e o antirracismo: como a sua empresa pode se posicionar diante da pauta

Se você é um/a profissional digital experiente e que está há alguns anos atuando no setor de dev, marketing digital, inside sales ou design, é bem provável que, pela primeira vez, você esteja vendo um movimento novo e revolucionário nas empresas de base tecnológica e mercado digital, com a união de duas pautas extremamente relevantes para a sociedade: tecnologia e antirracismo.

Atualmente, tecnologia e antirracismo precisam estar integrados em empresas que estão dispostas a encarar, com ações propositivas, as questões relacionadas ao racismo estrutural, uma das marcas mais cruéis da nossa sociedade.

Infelizmente, o Brasil ainda se encontra bem atrasado nessa questão, quando comparado a muitos países desenvolvidos, mas já vemos algumas iniciativas que despertam a esperança de dias mais justos e com oportunidades igualitárias para todos/as. 

O ano de 2020 foi muito marcado por discussões sobre questões raciais. Um dos casos mais emblemáticos foi o de George Floyd, no final do mês de maio de 2020. O cidadão afro-americano foi morto asfixiado por um policial branco, implorando para respirar. 

As imagens chocaram o mundo, provocaram diversos protestos e refletiram em um evento classificado como “ativismo de marca”, bastante relacionado às pautas do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

O “ativismo de marca” é o posicionamento público de empresas a favor de políticas de tecnologia e antirracismo. Empresas de diversos portes e segmentos já implementaram programas para lidar com o problema.

Veja empresas que estão trabalhando com tecnologia e antirracismo  

Entendemos que muitas ações políticas precisam ser tomadas para avaliar e criar programas de combate ao racismo no mundo inteiro, mas sabemos que as empresas que estão associando tecnologia e antirracismo ficam um passo à frente, pois já estão adotando ações afirmativas para modificar a realidade de minorias em seus espaços internos, em busca de igualdade, dignidade e respeito.

É preciso dizer que, além de cumprirem com a própria obrigação social, as empresas com diversidade cultural e racial em seus quadros apresentam rendimento financeiro 36% maior, quando comparadas com empresas que não possuem programas para lidar com o problema do racismo estrutural.

A Magalu, ambiente digital do Magazine Luiza, tem uma política de tecnologia e antirracismo bastante emblemática no Brasil. A ação tem foco em negros e pardos e consiste em um programa de trainee. 

A empresa acumula mais de 15 anos de trabalho sistematizado para integrar pessoas negras ao seu quadro de profissionais, tendo gerado, até agora, pelo menos 250 contratações.

A holding Movile, responsável pelo iFood, também implantou o Movile Dream, um programa pensado para que tecnologia e antirracismo caminhem juntos. A iniciativa possibilita que pessoas negras se realizem profissionalmente e tenham acesso a posições estratégicas para o desenvolvimento de carreira. 

A Ambev, uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo, também tem um programa para a inclusão de pessoas negras entre seus/suas funcionários/as e pretende contratar cerca de 80 profissionais nos próximos meses. 

Todos esses programas buscam oferecer possibilidades reais de crescimento dentro das empresas, e não apenas a contratação para estágios iniciais da carreira.

Reparação histórica 

A desigualdade salarial entre negros e brancos no Brasil é imensa, segundo o Insper. Pessoas de pele clara chegam a receber 57% a mais do que pessoas de pele escura.

Por isso, os diversos programas de inclusão racial nas empresas são vistos por muitos/as especialistas e juristas como uma reparação histórica com o povo preto. 

A Bayer, empresa farmacêutica, percebendo o movimento mundial de empresas que lançaram ações afirmativas para a contratação de negros, também elaborou seu programa de trainee, voltado a formar mais líderes negros em seus quadros de funcionários/as.

Tecnologia e antirracismo: ações práticas para sua empresa

Mapeamento

O primeiro passo para sua empresa atuar com uma política propositiva de antirracismo é mapear as pessoas negras na corporação ou startup.

  • Existem negros/as trabalhando?
  • Se sim, quantos/as são?
  • Há quanto tempo eles/as estão na empresa?
  • Quais cargos ocupam?

Dados como estes são muito relevantes para compreender como uma empresa está lidando com a questão da tecnologia e antirracismo com ações afirmativas. 

Nos EUA, por exemplo, apenas 5% dos/as negros/as ocupam cargos de gestão em empresas de tecnologia. 

O problema é estrutural: de acordo com dados da Fundação Nacional para Ciência, apenas 5% dos/as estudantes formados em tecnologia são pessoas negras. Sem o conhecimento necessário, elas ficam excluídas das gigantes do Vale do Silício.

No levantamento de dados que precede um programa de tecnologia e antirracismo nas empresas, também é interessante questionar como as pessoas negras no quadro de funcionários se sentem e são tratadas, bem como se já houve algum problema de discriminação no ambiente de trabalho.

Nos EUA, 60% dos/as profissionais negros já revelaram terem sofrido alguma espécie de preconceito no ambiente de trabalho, desde o maltrato de colegas até diferença salarial. Isso mostra que é muito necessário ter uma ampla ação para relacionar tecnologia e antirracismo nas empresas brasileiras e multinacionais.

Muito mais do que mostrar apoio público às pessoas negras, é necessário que sua empresa implemente um programa de médio e longo prazo para a inclusão de profissionais negros/as e o estabelecimento de um plano de carreira.

Especialistas em marketing alertam que empresas que não possuem uma política antirracista efetiva não devem usar o tema de forma aleatória em suas ações de comunicação, sob o risco de serem rotuladas como oportunistas ou sofrerem boicotes de consumidores/as mais atentos/as e engajados/as.

Depois de feito o mapeamento e implementado um programa para a contratação e o estabelecimento de um plano de carreira com foco antirracista, é interessante descobrir onde a empresa faz os investimentos.

As empresas que possuem um propósito maior do que o lucro e trabalham com um ideal e uma causa social ou ambiental podem aumentar seus faturamentos em até cinco vezes. 

Além disso, corporações que realmente atuam a favor da diversidade podem até ter um selo de certificação, como o Fair Trade, que atesta o posicionamento dos negócios. Atualmente, cerca de 150 indústrias possuem essa certificação em mais de 70 países.

Agregar valor para a sociedade é realmente importante para essas empresas. Como sua marca está investindo em programas sociais para reduzir a desigualdade racial? Este é um questionamento muito válido e que pode mostrar um caminho a ser seguido.

Grandes players do mercado, como Ambev, Magalu, Apple, Microsoft, Facebook, Bayer e outras gigantes já estão fazendo suas partes e possuem o poder financeiro para pressionar governos a adotarem medidas mais expressivas para reduzirem as injustiças raciais. Mas para que as mudanças ocorram de fato, é preciso estar interessado em mudar o sistema e adotar uma comunicação assertiva com as equipes profissionais e com toda a sociedade!

Quer saber mais sobre o tema e entender como sua empresa pode se alinhar às causas antirracistas? Converse com o time da Gama!

twitterfacebooklinkedinyoutube-playinstagram