Um pouco sobre empatia: por que é muito mais do que sentir ou se colocar no lugar do/a outro/a?

Muito mais do que sentir ou se colocar no lugar do outro

A receita é simples: basta um pouco de comunicação assertiva, misturada com doses de paciência e tolerância junto com uma xícara de escuta ativa e temos a empatia — habilidade que nos faz emocionalmente inteligentes, capazes de lidar com as pessoas dentro e fora do ambiente de trabalho.

É calçar o sapato do/a outro/a.

Apesar de simples, na prática não é bem assim que funciona a empatia.

Nenhuma receita de bolo é capaz de definir uma habilidade tão complexa e, por mais que você tente, seguir a máxima de calçar o sapato do/a outro/a não te faz sentir exatamente as dores de alguém.

Empatia vai muito além, exige foco, paciência, autoconhecimento e muita, mas muita sensibilidade, pois seu significado é amplo e especial.

Mas então, o que é empatia?

Quando o termo surgiu, séculos atrás, estava relacionado à emoção, sentimento e foi usado primeiramente nas artes, indicando a relação existente entre o/a artista e o/a espectador/a através do objeto artístico exposto, o qual produz um tipo de sentimento.

Do significado comum do dicionário, a empatia é uma “forma de identificação intelectual ou afetiva de uma pessoa com outras pessoas, ideias ou coisas”. 

É na psicologia, entretanto, que o termo começou a ganhar o entendimento que utilizamos atualmente, pois a área trouxe o sentido de identificação de um indivíduo que se coloca no lugar do/a outro/a e, com base em suas impressões, tenta entender esse comportamento.

Empatia, então, é identificar a emoção e o sentimento de alguém e, além disso, sentir com essa pessoa.

É absorver histórias, sentimentos, dores e angústias e estar ao lado do/a outro/a. É caminhar junto e às vezes ensinar a caminhar. É entender através do seu entendimento e acolher. 

Pensando nisso, a chave para conseguir ser empata é o autoconhecimento.

Só consegue olhar para o/a outro/a quem consegue olhar para si próprio/a, aceitando sua própria história com erros e acertos e com a maturidade de entender que todos são tão falhos/as quanto você.

E como eu posso começar então?

Pense em você e mapeie os seus pontos de falha aceitando-os de forma sincera e trabalhando para melhorar.

O amadurecimento é a maior força do ser humano e, assim, é fácil entender que, como humanos, todos/as passam por este processo, mas às vezes precisam de ajuda.

Interagir com as pessoas através da escuta ativa e comunicação assertiva e não violenta nos dá mais disposição para ouvir histórias e conhecer as características de cada um/a, ampliando nossa visão de mundo, favorecendo a mudança da opinião e o não julgamento das pessoas.

Observe todos/as à sua volta, seja dentro ou fora de casa.

Essas pessoas são parte da sua vida e tem uma história para contar. Seja curioso/a, estimule sua criatividade tentando pensar nas motivações do/a outro/a, seja paciente e tenha interesse genuíno em ajudar.

A empatia muda vidas. Mostrar que somos falhos/as para alguém e ter a capacidade de ajudar é mostrar que um ser humano é tão capaz quanto você de entrar no caminho diário de melhoria, diminuindo a culpa por estas falhas.

Entendi, mas por que isso é relevante no meu trabalho?

Mesmo que a gente inclua a psicologia, sentimentos, emoções e almas humanas, ainda sim estamos falando de trabalho, de pessoas que diariamente convivem conosco por várias horas no dia e que, em alguns casos, parte da nossa vida pessoal.

Não falamos apenas de funcionários/as e sim de seres humanos que não só entregam resultados, mas que tem sentimentos, histórias e podem entrar em um período de dificuldade, afetando suas vidas e, consequentemente, seus resultados finais para a empresa.

É a dificuldade de uma pessoa que sofre com um TCC enrolado, com a briga entre a família, com o famoso aperto financeiro.

Pode ser até mesmo aquela brincadeira que foi gerada no último happy hour sobre um/a colega que tocou naquelas feridas profundas e gerou tristeza.

Sendo empatas, ajudamos de várias formas, seja levando o/a colega para um café depois daquela reunião difícil, com a escuta do desabafo após uma situação ruim, ou até falando que “tudo bem sair cedo amanhã”, porque amanhã é o dia de apresentação daquele TCC.

É mudar a cultura inteira de uma empresa e tornar um ambiente de trabalho cada vez mais saudável.

E falar em empatia é falar em melhoria de resultados para os nossos/as clientes também. Ao entender melhor estas pessoas, suas características, histórias e anseios, sabemos exatamente o que ele/a precisa é isso é a certeza de uma boa entrega de serviço.

Se fez sentido pra você, faça um esforço com as pessoas a sua volta. Conecte-se com elas através de gestos simples como “bom dia” ou por suas histórias. Pratique a comunicação assertiva e não violenta. A empatia trará mudanças não apenas em seu trabalho, mas em outras áreas da sua vida também.

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